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Influências, Tchurma e
Reminiscências... Quando a gente é
entrevistado, sempre surge a inevitável pergunta: quais
são as suas maiores influencias? Bom, primeiro veio o
silencio. ( João
Gilberto eu demorei um pouco mais para
conhecer... Mas quando conheci... Foi a luz. Ou melhor, o som... Pena que eu nunca o tenha conhecido
pessoalmente. Quem sabe, um dia? ) Aliás, eu nasci no
ano da primeira gravação de Chega de Saudade, o grande
ano de 1958... E nem tinha idéia do que estava
acontecendo no mundo musical...
Bom. , claro
( reverência ), ,
inevitável ( outra reverência ) são os
primeiros compositores que me vêm a cabeça.
Talvez sem a música desses dois eu jamais tivesse tido vontade de
fazer a minha própria música.Depois tinha o Wagner
Tiso. Ainda hoje me lembro do dia em
que comprei o seu primeiro LP. Foi um lançamento
na galeria Menescal, se não me engano. Pude
receber o LP de meu ídolo. Me senti o máximo
com o seu autógrafo: ( Ronaldo, obrigado pela
força ) Acho
que foi o meu primeiro disco autografado.
| Eu
ainda era matemático, já devia estar
fazendo o mestrado, não sei bem. |
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Mas já
naquele tempo eu sonhava em poder
escrever choros e frevos enrolados... ou
quem sabe tocar saxofone como o Paulo
Moura.
Fiquei com a composição, pois soprar
não é pra mim, como eu fui perceber
mais tarde... E já babava ao ver o Rafael
Rabello
novinho já arrebentando no violão, num
show no MAM. Naquele tempo eu ainda
pesquisava a geometria
dos espaços de Banach
e bebia chope no Baixo-Leblon.  |
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Bom,
tem Toninho Horta, é
claro..., Ivan Lins ( no doubt
) e João
Donato ( O Gênio ! ). Todos os três
dispensam apresentações. Aliás, quer melhor aula de
música que o Beijo Partido da
Dinorah lá no Amazonas? Êles
representam uma música brasileira refinada e
sofisticada. Aquele show de harmonia. E de bom gosto.
Aquele algo a mais.
| É
difícil saber... tem todos os compositores da
antiga, os sambistas, os da MPB. Não dá pra
citar um, pois aí teria que citar uns 500... Mas
Chico, Caetano, Gil, João Bosco, Milton e Djavan eu tenho que citar, mesmo
me tornando óbvio. :-) E Rita Lee! |
Mas é certamente ( e sempre será! ) a peça
fundamental, sem a qual tudo desmoronaria. Tom Jobim é o
professor de melodia que eu infelizmente nunca conheci
pessoalmente, mas que estará sempre influenciando tudo o
que eu vier a escrever. Êle será sempre para mim o
maior compositor brasileiro de todos os tempos e um dos
maiores de toda a história mundial. Seja onde ele
estiver, certamente está arrebentando e já deve ter
escrito muitos grandes hits lá pelo andar de cima, esse
Antonio Brasileiro.
Considero minha musica
inevitalmente essencialmente brasileira. A
grande salada que é a música brasileira ( e uma das
saladas mais bem temperadas do mundo ) é deliciosa pois
é rica em facetas, sotaques e influências. É
inconfundível, como o jazz, o tango, o blues, a música cubana e todas as suas ramificações e a música cigana. E como essas, é fundível... E como é
gostoso fundir todas essas músicas... E confundir... Por
outro lado, minha música é inevitavelmente
essencialmente jazz. Dos jazzistas, Claudio Roditi, ( grande trompetista brasileiro vivendo nos
EUA ) sempre foi o meu fluguelhorn favorito, porque ele unia o be-bop ao
suíngue brasileiro. Como um
ídolo. Estudei seus solos nota por nota... John Coltrane ( Giant Steps foi uma das maiores aulas de
harmona que eu tomei na minha vida: Simples, curta e
rasteira ), Charlie
Parker, claro. Ouvi muito
suas gravações originais. E gostava muito de ver outros
músicos ( acho que a Aki Takase ) tocar o Donna Lee em
super-up-tempo e sabia que nunca iria poder realizar tal
façanha... Ouvi muito Chet Baker.
( Me lembro muito de um scat genial dêle, acho que em
Just Friends ). Êle se apresentou várias vezes em
Berlim. Eu considero improvisação de jazz a arte de
tocar aquilo que a gente pensa, e não necessariamente o
que os dedos querem. E o scat é uma forma
muito honesta, pois a voz é o nosso primeiro instrumento
musical. Por isso gosto muito do uníssono da voz com o
violão na improvisaçao. Êle obriga os
nossos dedos a tocarem o que a gente canta... E não uma
enxurrada de licks aleatórios... É a minha opinião.
Ouvi muito o trabalho da Tania Maria, essa
infelizmente não muito conhecida no Brasil. Andei muito o Pizzarelli. o filho No momento, tenho
escutado muito Randy
Brecker , um monstro do jazz, que aliás, participou no meu
último CD, o qual vai sair em breve por um selo americano. Aliás,
falando no Randy, eu teria que falar da fantástica pianista
brasileira Eliane Elias..Outros que curto muito são o pianista Michel
Camilo e o saxofonista e clarinetista Paquito
d'Rivera , um
grande ídolo, bem como o Caribbean
Jazz Project!
| Me
lembro das noites em Berlim, anos 83, 84, eu
compunha muito. De dia cantava sempre com a
Monika Kleinhubert, que era a cobaia para minhas
composições. Era minha vizinha. Eu a chamava de
Vizinha e ela tinha uma vozinha
linda. Nunca mais soube dela. |
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De noite ouvia
radio, quando não estava nas noitadas.... Me
lembro de um programa que passava na radio aliada
dos franceses ( Berlim ainda era dividida ).
Chamava-se Tempo. Nunca mais
esqueci da melodia, era um trombone que tocava o
tema de abertura. |
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Gostaria muito
que alguem me desvendasse o segredo: de quem era
a música de apresentação do programa?
Era mais ou menos assim:

Nesse programa eu descobria muita música bonita.
Eu sempre tive um fraco por música francesa de
cinema, jazz francês. |
Em
minhas influencias encontram-se tambem muito Piazzolla, Legrand, Mancini, Ennio
Morricone, Nino Rota e Victor
Young! A pentatônica melodia de Shane me
fascinava em minha infancia. E adulto eu fui
reencontrá-lo, pois Stella by
Starlight tornou-se o meu jazzstandard
favorito. O violino de Stephane
Grapelli. Tanto quanto os pianos de Bill Evans, André
Previn e Michael
Petrucciani. Isso sem falar de Michel Camilo!
Que contraste! Ah, já ia
esquecendo de César Camargo Mariano! E muitos
outros que indiretamente influenciaram o meu gosto
musical... Ora, eu já ouvi muito Beatles tambem... E só
agora é que eu me lembro de Johann
Sebastian Bach...
Melhor que o silencio,
como o João... 
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