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Influências, Tchurma e Reminiscências...

Quando a gente é entrevistado, sempre surge a inevitável pergunta: quais são as suas maiores influencias? Bom, primeiro veio o silencio. Psst... ( João Gilberto eu demorei um pouco mais para conhecer... Mas quando conheci... Foi a luz. Ou melhor, o som... Pena que eu nunca o tenha conhecido pessoalmente. Quem sabe, um dia? ) Aliás, eu nasci no ano da primeira gravação de Chega de Saudade, o grande ano de 1958... E nem tinha idéia do que estava acontecendo no mundo musical...

Bom. Hermeto Paschoal - Multiinstrumentalista e compositor brasileiro nascido em 1936 em Lagoa da Canoa, município de Arapiraca, em Alagoas, claro ( reverência ), Egberto Gismonti - Compositor, pianista e violonista brasileiro nascido em 1947 em Carmo, RJ., inevitável ( outra reverência ) são os primeiros compositores que me vêm a cabeça. Talvez sem a música desses dois eu jamais tivesse tido vontade de fazer a minha própria música.

Depois tinha o Wagner Tiso. Ainda hoje me lembro do dia em que comprei o seu primeiro LP. Foi um lançamento na galeria Menescal, se não me engano. Pude receber o LP de meu ídolo. Me senti o máximo com o seu autógrafo: ( Ronaldo, obrigado pela força ) Acho que foi o meu primeiro disco autografado.

Eu ainda era matemático, já devia estar fazendo o mestrado, não sei bem.  
 
Mas já naquele tempo eu sonhava em poder escrever choros e frevos enrolados... ou quem sabe tocar saxofone como o Paulo Moura. Fiquei com a composição, pois soprar não é pra mim, como eu fui perceber mais tarde... E já babava ao ver o Rafael Rabello novinho já arrebentando no violão, num show no MAM. Naquele tempo eu ainda pesquisava a geometria dos espaços de Banach e bebia chope no Baixo-Leblon. Hic!

Bom, tem Toninho Horta, é claro..., Ivan Lins ( no doubt ) e João Donato ( O Gênio ! ). Todos os três dispensam apresentações. Aliás, quer melhor aula de música que o “Beijo Partido da Dinorah lá no Amazonas”? Êles representam uma música brasileira refinada e sofisticada. Aquele show de harmonia. E de bom gosto. Aquele algo a mais.

É difícil saber... tem todos os compositores da antiga, os sambistas, os da MPB. Não dá pra citar um, pois aí teria que citar uns 500... Mas Chico, Caetano, Gil, João Bosco, Milton e Djavan eu tenho que citar, mesmo me tornando óbvio. :-) E Rita Lee!

Mas Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim - Antonio Carlos Jobim é certamente ( e sempre será! ) a peça fundamental, sem a qual tudo desmoronaria. Tom Jobim é o professor de melodia que eu infelizmente nunca conheci pessoalmente, mas que estará sempre influenciando tudo o que eu vier a escrever. Êle será sempre para mim o maior compositor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores de toda a história mundial. Seja onde ele estiver, certamente está arrebentando e já deve ter escrito muitos grandes hits lá pelo andar de cima, esse Antonio Brasileiro.

Considero minha musica “inevitalmente essencialmente” brasileira. A grande salada que é a música brasileira ( e uma das saladas mais bem temperadas do mundo ) é deliciosa pois é rica em facetas, sotaques e influências. É inconfundível, como o jazz, o tango, o blues, a música cubana e todas as suas ramificações e a música cigana. E como essas, é fundível... E como é gostoso fundir todas essas músicas... E confundir... Por outro lado, minha música é “inevitavelmente essencialmente” jazz. Dos jazzistas, Claudio Roditi, ( grande trompetista brasileiro vivendo nos EUA ) sempre foi o meu fluguelhorn favorito, porque ele unia o be-bop ao suíngue brasileiro. Como um ídolo. Estudei seus solos nota por nota... John Coltrane ( Giant Steps foi uma das maiores aulas de harmona que eu tomei na minha vida: Simples, curta e rasteira ), Charlie Parker, claro. Ouvi muito suas gravações originais. E gostava muito de ver outros músicos ( acho que a Aki Takase ) tocar o Donna Lee em super-up-tempo e sabia que nunca iria poder realizar tal façanha... Ouvi muito Chet Baker. ( Me lembro muito de um scat genial dêle, acho que em Just Friends ). Êle se apresentou várias vezes em Berlim. Eu considero improvisação de jazz a arte de tocar aquilo que a gente pensa, e não necessariamente o que os dedos “querem”. E o scat é uma forma muito honesta, pois a voz é o nosso primeiro instrumento musical. Por isso gosto muito do uníssono da voz com o violão na improvisaçao. Êle “obriga” os nossos dedos a tocarem o que a gente canta... E não uma enxurrada de licks aleatórios... É a minha opinião. Ouvi muito o trabalho da Tania Maria, essa infelizmente não muito conhecida no Brasil. Andei  muito o Pizzarelli. o filho   No momento, tenho escutado muito Randy Brecker , um monstro do jazz, que  aliás, participou no meu último CD, o qual vai sair em breve por um selo americano. Aliás, falando no Randy, eu teria que falar da fantástica pianista brasileira Eliane Elias..Outros que curto muito são o pianista Michel Camilo e o saxofonista e clarinetista Paquito d'Rivera , um grande ídolo, bem como o  Caribbean Jazz Project!

Me lembro das noites em Berlim, anos 83, 84, eu compunha muito. De dia cantava sempre com a Monika Kleinhubert, que era a cobaia para minhas composições. Era minha vizinha. Eu a chamava de “Vizinha” e ela tinha uma vozinha linda. Nunca mais soube dela.   De noite ouvia radio, quando não estava nas noitadas.... Me lembro de um programa que passava na radio aliada dos franceses ( Berlim ainda era dividida ). Chamava-se Tempo. Nunca mais esqueci da melodia, era um trombone que tocava o tema de abertura.   Gostaria muito que alguem me desvendasse o segredo: de quem era a música de apresentação do programa?
Era mais ou menos assim:

Nesse programa eu descobria muita música bonita. Eu sempre tive um fraco por música francesa de cinema, jazz francês.

Em minhas influencias encontram-se tambem muito Piazzolla, Legrand, Mancini, Ennio Morricone, Nino Rota e Victor Young! A pentatônica melodia de Shane me fascinava em minha infancia. E adulto eu fui reencontrá-lo, pois Stella by Starlight tornou-se o meu jazzstandard favorito. O violino de Stephane Grapelli. Tanto quanto os pianos de Bill Evans, André Previn e Michael Petrucciani. Isso sem falar de Michel Camilo! Que contraste! Ah, já ia esquecendo de César Camargo Mariano! E muitos outros que indiretamente influenciaram o meu gosto musical... Ora, eu já ouvi muito Beatles tambem... E só agora é que eu me lembro de Johann Sebastian Bach... 
Melhor que o silencio, como o João...
Psst...

  Continua